Hospital do NHS admitiu que quase 50 funcionários acessaram de forma inadequada os registros médicos de vítimas do ataque com faca em Southport.
A violação de dados ocorreu no University Hospitals of Liverpool Group, responsável pelo Hospital Universitário de Aintree, onde algumas das vítimas foram tratadas após o ataque ocorrido em julho de 2024.
A situação só veio à público esta semana.
Entre os pacientes afetados estão uma adolescente de 13 anos que ajudava a supervisionar a aula de dança temática de Taylor Swift, alvo do ataque, e a professora Leanne Lucas.
O hospital classificou o caso como “indesculpável” e afirmou que mudanças foram implementadas após a descoberta da violação. Nenhum funcionário, porém, foi demitido.
Leanne Lucas, que foi esfaqueada cinco vezes durante o ataque, afirmou estar “devastada e horrorizada” com a quebra de privacidade.
“Nada diminui minha gratidão à equipe que salvou minha vida, mas 48 pessoas sem envolvimento no meu tratamento abusaram da posição de confiança ao acessar os registros das vítimas”, declarou.
Ela também criticou o fato de ter sido informada sobre a violação quase dois anos depois do ocorrido.
“A decisão de esconder isso de mim por quase dois anos é revoltante”, afirmou.
Segundo Lucas, ela só soube do caso após uma jornalista entrar em contato com o hospital questionando a situação.
O CEO do grupo hospitalar, James Sumner, disse que a instituição está “profundamente arrependida” pelo sofrimento causado.
Ele afirmou que os funcionários envolvidos passaram por processos disciplinares, variando de advertências informais até advertência escrita final.
Segundo Sumner, a decisão de não informar imediatamente os pacientes foi tomada com base em orientações clínicas.
“Levamos em consideração o possível impacto psicológico que essa informação poderia causar às vítimas naquele momento”, explicou.
O hospital negou qualquer tentativa de encobrimento.
A advogada Nicola Ryan-Donnelly, que representa a adolescente afetada, classificou o episódio como “um abuso de poder profundamente perturbador”.
“Os registros foram acessados não para ajudar na recuperação da paciente, mas por curiosidade”, afirmou.
Já a advogada Nicola Brook, que representa sobreviventes adultos do ataque, disse que o caso levanta preocupações sobre a cultura interna da instituição.
“Isso vai além de algumas pessoas isoladas. Foram 48 funcionários diferentes acessando registros sem justificativa legítima”, declarou.
O deputado trabalhista Patrick Hurley afirmou estar “profundamente preocupado” com os relatos.
“A ideia de que registros médicos confidenciais possam ter sido acessados sem motivo legítimo, especialmente em um momento tão traumático, é extremamente alarmante”, disse.
O University Hospitals of Liverpool Group informou que implementou novas soluções digitais para reduzir o risco de acessos indevidos a registros médicos.
O Information Commissioner's Office, órgão britânico responsável pela proteção de dados, afirmou que não pretende abrir investigação criminal “neste momento”, mas reforçou a importância de proteger dados sensíveis de pacientes.
O ataque em Southport deixou três meninas mortas e outras oito crianças feridas, além de um adulto. O caso chocou o Reino Unido e gerou grande comoção nacional.
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