Uma nova esperança surge para mulheres com câncer de ovário no Reino Unido. O NHS passou a disponibilizar o medicamento mirvetuximab soravtansine, uma terapia inovadora que aumenta a sobrevida das pacientes e reduz significativamente os efeitos colaterais em comparação com a quimioterapia tradicional.
Considerado um dos maiores avanços no tratamento do câncer de ovário nas últimas duas décadas, o medicamento utiliza uma tecnologia conhecida como "míssil biológico" ou "cavalo de Troia". Em vez de espalhar a quimioterapia por todo o organismo, a terapia leva o medicamento diretamente até as células cancerígenas, reduzindo os danos aos tecidos saudáveis.
A novidade poderá beneficiar até 400 pacientes por ano na Inglaterra, especialmente mulheres com câncer de ovário resistente aos tratamentos convencionais.
Uma das pacientes beneficiadas é Patricia Hill, de 64 anos, diagnosticada com câncer de ovário em 2023. Após passar por várias sessões de quimioterapia, ela iniciou o tratamento com o novo medicamento em janeiro deste ano.
Segundo Patricia, a diferença foi imediata.
“Foi como da noite para o dia. Sinto que recuperei grande parte da minha vida”, afirmou.
Com menos fadiga e menos episódios de náusea, Patricia voltou a realizar atividades que antes eram impossíveis durante a quimioterapia convencional, como visitar familiares, jantar fora, assistir a espetáculos no West End de Londres e participar de eventos como o Chelsea Flower Show.
Os estudos mostram que a terapia não apenas melhora a qualidade de vida, mas também aumenta a expectativa de sobrevivência. Em média, pacientes tratadas com o medicamento viveram 16,5 meses, em comparação com 12,8 meses entre aquelas que receberam quimioterapia convencional.
Outro benefício importante é a redução dos efeitos adversos. Muitas pacientes conseguem manter os cabelos durante o tratamento e recebem a medicação apenas uma vez a cada três semanas, ao contrário da quimioterapia tradicional, que frequentemente exige aplicações semanais.
O medicamento funciona através da combinação de um anticorpo desenvolvido em laboratório com uma potente substância quimioterápica. O anticorpo identifica uma proteína chamada receptor de folato alfa, presente na superfície de alguns tumores de ovário.
Após localizar a célula cancerígena, o anticorpo entrega a medicação diretamente ao tumor, destruindo as células malignas de forma mais precisa.
Especialistas estimam que entre 30% e 40% dos casos de câncer de ovário resistentes à quimioterapia apresentam esse marcador específico e podem beneficiar da nova abordagem.
A aprovação foi concedida pelo Instituto Nacional para Excelência em Saúde e Cuidados (NICE), responsável pela avaliação de tratamentos no Reino Unido.
A Dra. Rowan Miller, que liderou os ensaios clínicos na University College London Hospitals (UCLH), afirmou que o medicamento representa uma conquista aguardada há décadas.
“Depois de mais de 20 anos à procura de tratamentos mais eficazes, finalmente temos uma opção que aumenta a sobrevida e oferece uma qualidade de vida muito melhor para as pacientes”, destacou.
A professora Ruth Plummer, líder nacional do NHS para medicamentos contra o câncer, classificou a terapia como “o avanço mais significativo para este tipo de câncer em mais de duas décadas”.
O câncer de ovário afeta cerca de 7.750 mulheres por ano no Reino Unido. Para muitas pacientes que esgotaram as opções convencionais, a chegada do mirvetuximab soravtansine representa uma nova oportunidade de tratamento e mais tempo com qualidade de vida ao lado das suas famílias.