As farmácias na Inglaterra terão um papel ainda maior no sistema de saúde a partir do outono, com a ampliação do programa Pharmacy First, iniciativa criada para facilitar o acesso ao tratamento de doenças comuns e aliviar a pressão sobre os médicos de família (GPs) e hospitais.
Atualmente, os farmacêuticos já podem prescrever medicamentos para condições como dor de garganta, dor de ouvido, sinusite, herpes-zóster (cobreiro), impetigo, picadas de insetos infectadas e infecções urinárias.
Com um novo investimento de £340 milhões, o governo britânico pretende expandir o programa e incluir mais cinco condições de saúde na lista de tratamentos disponíveis diretamente nas farmácias. As novas doenças que passarão a ser atendidas ainda não foram divulgadas.
Lançado em 2024, o Pharmacy First permite que os pacientes procurem orientação, tratamentos sem receita e medicamentos sujeitos a prescrição diretamente nas farmácias, sem necessidade de consulta prévia com um médico de família.
Além disso, as farmácias também oferecem apoio em áreas como saúde ocular, problemas auditivos, cuidados bucais e dentários, bem como tratamento para determinadas condições digestivas.
A expansão do programa coincide com a entrada de milhares de novos farmacêuticos qualificados para prescrever medicamentos de forma independente. Eles serão os primeiros profissionais formados já com essa competência integrada à sua formação universitária.
Segundo o Departamento de Saúde e Assistência Social, mais de 3,3 milhões de consultas foram realizadas através do Pharmacy First entre março de 2025 e fevereiro de 2026.
O ministro da Saúde, Stephen Kinnock, afirmou que a medida permitirá aproveitar melhor a qualificação dos farmacêuticos, tornando os cuidados de saúde mais acessíveis e próximos da população.
“A prescrição independente terá um papel fundamental para reduzir a burocracia, aliviar a pressão sobre os médicos de família e ajudar os pacientes a obterem o tratamento adequado mais perto de casa”, afirmou.
Apesar do anúncio, representantes do setor alertam que o financiamento continua insuficiente para cobrir os custos enfrentados pelas farmácias.
A Associação Nacional de Farmácia (NPA) afirmou que a expansão é um passo positivo, mas destacou que o acordo não resolve problemas relacionados ao aumento das taxas comerciais, custos laborais e preços dos medicamentos.
Segundo o presidente da entidade, Dr. Olivier Picard, existe uma lacuna de financiamento estimada em £2,5 mil milhões no setor, o que pode comprometer o sucesso da iniciativa.
A Associação Independente de Farmácias também manifestou preocupação, afirmando que muitas unidades continuam enfrentando dificuldades financeiras e poderão ter dificuldades para suportar o aumento da procura pelos serviços.
Modelos semelhantes ao Pharmacy First já funcionam há vários anos na Escócia e também existem sistemas equivalentes no País de Gales e na Irlanda do Norte, permitindo que farmacêuticos tratem determinadas condições sem necessidade de consulta médica prévia.