Andrew Malkinson, que passou mais de 17 anos preso por um estupro que não cometeu, pediu ao governo britânico que intervenha após ser informado de que poderá ter taxas legais descontadas de sua compensação financeira.
Malkinson classificou a medida como “mesquinha” e afirmou que o Estado deveria arcar integralmente com os custos, já que foi responsável pelo erro judicial que destruiu sua vida.
“Parece vingativo. O Estado causou o dano, então deveria pagar os custos dos especialistas e honorários legais, não eu”, declarou em entrevista à BBC Radio 4.
Ele estima que poderá ser obrigado a pagar até £10 mil referentes ao trabalho de especialistas que ajudaram a reverter sua condenação.
O caso é considerado um dos maiores erros judiciais da história britânica. Malkinson foi condenado em 2004 por um estupro ocorrido na Grande Manchester, apesar da ausência de provas de DNA que o ligassem ao crime.
Após anos tentando provar sua inocência, sua condenação foi anulada em 2023, depois que testes de DNA identificaram o verdadeiro autor do crime: Paul Quinn, condenado no mês passado por estupro, estrangulamento e lesão corporal grave.
O Tribunal de Apelação também concluiu que evidências importantes que poderiam ter ajudado a defesa de Malkinson não foram apresentadas durante o julgamento original.
Além disso, a Comissão de Revisão de Casos Criminais do Reino Unido foi fortemente criticada por ter ignorado evidências de DNA que poderiam ter inocentado Malkinson anos antes.
A Polícia da Grande Manchester também está sendo investigada por possíveis falhas no caso, incluindo problemas no processo de identificação do suspeito e suposta omissão de provas relevantes.
Hoje com 60 anos, Malkinson afirmou que ainda busca respostas sobre como sua vida foi “virada de cabeça para baixo” por um sistema que falhou repetidamente.
“Quero entender exatamente o que aconteceu para finalmente conseguir seguir em frente”, disse.
Instale nosso APP Agora!