10/03/2026 às 20h29min - Atualizada em 10/03/2026 às 20h29min

Violência contra mulheres cresce mesmo com leis mais rígidas

Violência Doméstica

Michelle Costa

Michelle Costa

Colunista, tem um grupo de mulheres no Reino Unido chamado Essência Global.

ONU
Michelle Costa
Canva

Mesmo com leis mais fortes e políticas públicas voltadas para proteger vítimas, a violência contra mulheres continua sendo um dos maiores desafios sociais no Brasil e no mundo. Milhares de mulheres sofrem agressões físicas, psicológicas e sexuais todos os anos, muitas vezes dentro de suas próprias casas, e muitas vezes de pessoas próximas, como parceiros ou ex-companheiros.

No Brasil, legislações como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio representam avanços importantes. Elas estabeleceram medidas protetivas, aumentaram penas e criaram mecanismos específicos para punir agressores de mulheres. Apesar disso, os números permanecem alarmantes. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registra, em média, quatro feminicídios por dia, evidenciando que ainda existem lacunas na proteção e na prevenção desses crimes.

A violência de gênero não é apenas um problema nacional. Dados da ONU Mulheres mostram que quase uma em cada três mulheres no mundo já sofreu violência física ou sexual ao longo da vida, na maioria das vezes por alguém próximo. Esses números revelam que a violência contra mulheres é um fenômeno estrutural e global, ligado à desigualdade de gênero e a culturas que ainda normalizam o machismo.

Nos últimos meses, protestos e mobilizações sociais voltaram a chamar atenção para o tema. Em março de 2026, durante o Dia Internacional da Mulher, manifestações no Brasil denunciaram o aumento da violência de gênero, principalmente após casos recentes que chocaram a sociedade e ganharam repercussão internacional. (AP News)

Especialistas alertam que apenas leis mais severas não resolvem o problema. É necessário investir em políticas públicas completas que incluam educação, prevenção, apoio psicológico e assistência jurídica às vítimas. Delegacias especializadas, casas de acolhimento e programas de reabilitação social são fundamentais para que mulheres possam denunciar agressões e reconstruir suas vidas com segurança.

Outro ponto essencial é a transformação cultural. A mudança de comportamento e a promoção da igualdade de gênero desde a educação básica ajudam a prevenir violência e a desconstruir padrões machistas. Quanto mais visível é o problema na mídia e nas redes sociais, maior é a pressão sobre governos e instituições para implementar políticas eficazes de proteção e prevenção.

Além disso, iniciativas internacionais reforçam a importância da cooperação global. Organizações como a Organização Mundial da Saúde destacam que o combate à violência de gênero exige ação coordenada entre governos, sociedade civil e comunidade internacional.

O desafio é claro: transformar leis, políticas públicas e mobilização social em proteção real para mulheres. A luta envolve não apenas punição de agressores, mas também apoio às vítimas, educação, conscientização e mudança cultural. Somente dessa forma será possível reduzir a violência, garantir segurança e promover igualdade de direitos.

 

Fontes:
ONU Mulheres – Global Database on Violence Against Women
World Health Organization – Violence Against Women
Fórum Brasileiro de Segurança Pública – Dados sobre Feminicídio
AP News – Protestos e Violência de Gênero no Brasil
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