04/04/2026 às 18h43min - Atualizada em 04/04/2026 às 18h43min

Mulheres no Reino Unido

avanços e desafios em 2026

Michelle Costa

Michelle Costa

Colunista, tem um grupo de mulheres no Reino Unido chamado Essência Global.

Michelle Costa - @michellecosta.oficial
Canva

Participação no mercado de trabalho cresce, mas desigualdades salariais e sociais ainda persistem

As mulheres no Reino Unido continuam a desempenhar um papel essencial na economia e na sociedade, mas ainda enfrentam desafios significativos relacionados à desigualdade de género. Dados recentes mostram avanços importantes, ao mesmo tempo que destacam problemas estruturais que permanecem ao longo dos anos.

De acordo com o UK Parliament House of Commons Library, cerca de 16,7 milhões de mulheres estão atualmente empregadas no país, o que representa aproximadamente 72% da população feminina em idade ativa. Apesar deste número expressivo, a taxa ainda é inferior à dos homens, evidenciando uma diferença persistente no acesso e permanência no mercado de trabalho.

Um dos principais fatores que contribuem para essa desigualdade é o tipo de emprego ocupado. Cerca de 37% das mulheres trabalham em regime de meio período (part-time), em comparação com apenas 14% dos homens. Essa realidade está frequentemente associada a responsabilidades familiares e ao cuidado não remunerado, que ainda recaem majoritariamente sobre as mulheres.

A desigualdade salarial continua sendo um dos desafios mais relevantes. Segundo dados do UK Parliament House of Commons Library, o chamado gender pay gap está em torno de 12,8%. Em termos práticos, isso significa que, em média, as mulheres recebem cerca de 88 pence para cada libra ganha pelos homens. Organizações como o Business in the Community alertam que, apesar de uma redução gradual ao longo dos anos, o ritmo de mudança ainda é lento.

Outro ponto de preocupação é a concentração de mulheres em empregos de baixa remuneração. Dados da Living Wage Foundation indicam que quase 60% dos trabalhadores em posições com salários mais baixos são mulheres. Além disso, cerca de 2,5 milhões ainda recebem abaixo do chamado “salário digno”, o que reforça a desigualdade econômica estrutural.

Nos últimos anos, também tem aumentado a atenção para o impacto da violência e do assédio na vida profissional feminina. Reportagens do The Guardian indicam que mulheres que enfrentam situações de abuso podem sofrer consequências financeiras duradouras, incluindo redução de rendimentos e dificuldades na progressão de carreira. Estudos também mostram que empresas com maior presença feminina em cargos de liderança tendem a adotar medidas mais eficazes contra comportamentos abusivos.

Apesar dos desafios, há sinais positivos. A participação feminina no mercado de trabalho continua a crescer, e a presença de mulheres em posições de liderança vem aumentando gradualmente. Além disso, a igualdade de gênero tem ganhado maior visibilidade no debate público, incentivando políticas e iniciativas voltadas para a redução das desigualdades.

Em resumo, o Reino Unido apresenta avanços importantes na promoção da igualdade entre homens e mulheres, mas ainda enfrenta obstáculos significativos. A redução do gap salarial, a valorização do trabalho feminino e o combate às desigualdades estruturais continuam a ser prioridades fundamentais para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e equilibrada.

Leia Também »
Comentários »
Comentar

*Ao utilizar o sistema de comentários você está de acordo com a POLÍTICA DE PRIVACIDADE do site https://noticia.uk/.