A igualdade de gênero no mercado de trabalho continua sendo um dos grandes desafios das economias modernas. Apesar dos avanços das últimas décadas, os dados mais recentes mostram que o progresso está desacelerando. O Women in Work Index, publicado anualmente pela PwC, oferece um retrato detalhado dessa realidade ao medir o nível de igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho em 33 países da OCDE.
Na sua edição mais recente, o índice revela uma mensagem preocupante: o progresso na igualdade de género no trabalho está a avançar ao ritmo mais lento desde a pandemia.
Essa desaceleração levanta uma pergunta importante: estamos realmente a avançar ou apenas a manter uma aparência de progresso?
Como o índice mede a igualdade no trabalho
O Women in Work Index analisa cinco indicadores fundamentais que permitem compreender a posição das mulheres no mercado de trabalho:
Esses indicadores permitem comparar a situação de diversos países e identificar tendências ao longo do tempo. O índice existe desde 2011 e tem servido como uma importante referência para políticas públicas e estratégias empresariais relacionadas à igualdade de gênero.
No entanto, os dados mais recentes mostram que as melhorias observadas em anos anteriores estão a perder força.
O caso do Reino Unido
No Reino Unido, os resultados apresentam uma realidade mista. O país subiu ligeiramente no ranking internacional, mas os avanços continuam modestos.
A taxa de participação feminina no mercado de trabalho aumentou apenas marginalmente, passando de 74,8% para 75%, permanecendo ainda acima da média da OCDE, que é de cerca de 73,1%.
Por outro lado, a diferença salarial entre homens e mulheres continua significativa. Embora tenha havido uma pequena redução, o gender pay gap no Reino Unido permanece acima da média da OCDE, indicando que a igualdade salarial ainda está longe de ser alcançada.
Outro dado relevante é que a redução da diferença de participação entre homens e mulheres no mercado de trabalho não ocorreu apenas porque mais mulheres estão trabalhando, mas também porque mais homens estão economicamente inativos, o que altera artificialmente esse equilíbrio.
Ou seja, o avanço não é necessariamente resultado de um progresso estrutural na igualdade.
Um cenário económico mais difícil
A desaceleração do progresso também está ligada a fatores económicos globais. O aperto das condições monetárias e a desaceleração económica reduziram a procura por mão de obra em vários países.
Como consequência, a taxa de desemprego feminino aumentou ligeiramente em diversos países, incluindo o Reino Unido. Em alguns casos, o desemprego entre mulheres cresceu mais rapidamente do que entre homens, refletindo a vulnerabilidade de setores onde a presença feminina é maior.
Essa tendência mostra como crises econômicas podem ter impactos desproporcionais sobre as mulheres.
Desigualdades que persistem
Mesmo com maior participação feminina no mercado de trabalho, desigualdades estruturais continuam presentes. O chamado gender pay gap permanece como um dos indicadores mais evidentes dessa disparidade.
Diversos fatores contribuem para essa diferença salarial, incluindo a concentração de mulheres em setores com menor remuneração, menor presença feminina em cargos de liderança e a distribuição desigual das responsabilidades familiares.
Essas desigualdades acumulam-se ao longo da vida profissional e acabam refletindo também em outras áreas, como aposentadorias e segurança financeira no longo prazo.
Por que a igualdade no trabalho importa para a economia?
Promover a igualdade de género no mercado de trabalho não é apenas uma questão de justiça social. Também é uma estratégia económica inteligente.
Pesquisas indicam que aumentar a participação feminina no mercado de trabalho pode gerar crescimento econômico significativo, ampliando a produtividade, a renda e o consumo.
Economias que conseguem integrar melhor o talento feminino tendem a ser mais inovadoras, resilientes e competitivas.
O caminho à frente
Apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas, o Women in Work Index mostra que a igualdade plena ainda está distante.
O progresso tem sido gradual, mas não linear. Períodos de avanço são frequentemente seguidos por estagnação ou retrocessos.
Isso sugere que alcançar a igualdade de gênero no mercado de trabalho exige mais do que políticas pontuais. É necessário um esforço contínuo envolvendo governos, empresas e sociedade.
Medidas como maior transparência salarial, políticas de conciliação entre trabalho e vida familiar, acesso a cuidados infantis acessíveis e promoção da diversidade em cargos de liderança são fundamentais para acelerar esse processo.
Conclusão
O relatório da PwC é um lembrete de que a igualdade de gênero no trabalho ainda é um projeto em construção.
Embora o Reino Unido tenha feito progressos importantes, os dados mostram que o ritmo dessas mudanças está a diminuir. Sem políticas mais consistentes e ações coordenadas, a promessa de um mercado de trabalho verdadeiramente igualitário pode continuar distante.
Mais do que nunca, o desafio não é apenas avançar — é garantir que o progresso não pare.