Por Michelle Costa – colunista, Notícia em UK, London
Nos últimos anos, pesquisas sobre comportamento juvenil e cultura digital têm apontado um fenômeno preocupante: o aumento de atitudes misóginas entre adolescentes. Observado principalmente entre meninos em idade escolar, esse comportamento tem preocupado escolas, famílias e autoridades públicas no Reino Unido. Comentários sexistas, desrespeito às meninas e a influência de conteúdos digitais que promovem hostilidade contra mulheres estão se tornando cada vez mais visíveis no ambiente escolar.
A misoginia — definida como desprezo, hostilidade ou preconceito contra mulheres — pode se manifestar de diferentes formas, incluindo linguagem sexista, exclusão de meninas em atividades escolares, objetificação e reprodução de estereótipos de gênero. Embora nem todos os jovens apresentem comportamentos extremos, especialistas alertam que atitudes iniciais podem se normalizar se não forem combatidas desde cedo.
Como parte desta análise para o Notícia em UK, examinei relatórios educacionais, levantamentos acadêmicos e pesquisas britânicas. Um estudo conduzido com professores revelou que mais de três quartos dos educadores consideram a misoginia um problema sério nas escolas, e 54% afirmam que a situação piorou nos últimos anos. Muitos docentes relatam ouvir comentários sexistas entre estudantes com frequência, e alguns afirmam que atitudes agressivas contra meninas aumentaram nas aulas e nos corredores.
Pesquisas da Universidade de York mostram que professores enfrentam desafios crescentes ao lidar com comportamentos que incluem desrespeito a colegas do sexo feminino, estereótipos de gênero e reprodução de ideias vistas em conteúdos online. Em muitos casos, adolescentes repetem discursos que desvalorizam mulheres ou culpam-nas por frustrações masculinas, criando um ambiente prejudicial à convivência escolar e ao desenvolvimento emocional das meninas.
Entre os fatores apontados pelos especialistas estão o crescimento de comunidades digitais conhecidas como “manosphere”, que promovem dominação masculina, e o acesso precoce à pornografia e a conteúdos sexualizados na internet. Sem orientação adequada, muitos adolescentes formam percepções distorcidas sobre sexualidade e relações de gênero. Isso pode influenciar comportamentos dentro e fora da escola, incluindo atitudes de desrespeito ou até agressão verbal.
O impacto desse ambiente cultural já é sentido por meninas e jovens mulheres. Pesquisas indicam que muitas alteram comportamentos diários para evitar assédio, modificam hábitos e se sentem inseguras em determinados espaços escolares. Esses sinais mostram que a misoginia entre adolescentes não é apenas uma questão de linguagem, mas também um problema de segurança e bem-estar.
Especialistas defendem uma resposta conjunta envolvendo escolas, famílias e políticas públicas. Programas educacionais que discutam consentimento, respeito e igualdade de gênero são essenciais para prevenir comportamentos abusivos desde cedo. Pais e responsáveis também devem acompanhar conteúdos online, incentivar pensamento crítico e promover diálogos sobre respeito, relacionamentos saudáveis e responsabilidade emocional.
Embora a maioria dos jovens não apresente atitudes extremas, ignorar sinais iniciais pode permitir que comportamentos prejudiciais se normalizem. Combater a misoginia entre adolescentes exige diálogo, educação e atenção às influências culturais e digitais que moldam as novas gerações.