O Banco de Inglaterra decidiu manter a taxa de juro de referência em 3,75%, prolongando pela quarta reunião consecutiva a política de estabilidade nas taxas.
A decisão foi tomada pelo Comité de Política Monetária (MPC), que continua atento à evolução da inflação e ao impacto dos preços da energia na economia britânica.
O governador do Banco de Inglaterra, Andrew Bailey, afirmou que a recente descida dos preços do petróleo é um sinal positivo, mas alertou que os aumentos registados nos últimos meses ainda poderão exercer pressão sobre a inflação nos próximos períodos.
A taxa de juro é a principal ferramenta utilizada pelo banco central para controlar a inflação, influenciando diretamente os custos dos empréstimos, das hipotecas e também os rendimentos das poupanças.
A decisão surge num momento em que os mercados continuam a acompanhar os desenvolvimentos no Médio Oriente e os possíveis efeitos sobre o fornecimento global de energia.
Embora os preços do petróleo tenham recuado recentemente, os responsáveis do banco central destacam que permanecem acima dos níveis registados antes do conflito, mantendo alguma volatilidade nos mercados.
Na votação desta reunião, sete membros do comité defenderam a manutenção da taxa nos atuais 3,75%, enquanto dois membros votaram a favor de uma subida para 4%, refletindo preocupações com possíveis pressões inflacionistas futuras.
O Banco de Inglaterra considera que a evolução da inflação dependerá, em grande parte, da duração dos impactos energéticos e da forma como esses custos se refletem nos preços ao consumidor e nas exigências salariais.
Apesar das incertezas, as previsões para a inflação foram revistas ligeiramente em baixa face às estimativas anteriores. A instituição espera agora que a inflação atinja cerca de 3,25% no final de 2026, embora continue acima da meta oficial de 2%.
Outro fator relevante será a evolução do acordo recentemente alcançado entre os Estados Unidos e o Irão. Caso a normalização do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz avance conforme previsto, os mercados energéticos poderão beneficiar de maior estabilidade e contribuir para aliviar futuras pressões inflacionistas.
Entretanto, milhões de famílias britânicas deverão enfrentar um aumento nas contas de energia a partir de julho, quando entrarem em vigor os novos limites tarifários definidos pela Ofgem.
O Banco de Inglaterra voltará a reunir-se no final de julho para reavaliar o cenário económico e decidir os próximos passos da política monetária.