Governo do Reino Unido vai criar orientação oficial sobre tempo de tela
para crianças e adolescentes
Getty
O governo britânico anunciou que publicará, pela primeira vez, uma orientação oficial sobre o uso de telas por crianças e adolescentes entre 5 e 16 anos.
A iniciativa faz parte de uma consulta pública de três semanas que reunirá opiniões de especialistas, educadores, pais e profissionais da saúde para ajudar na elaboração das novas diretrizes, previstas para serem divulgadas no outono.
As recomendações deverão abordar temas como o tempo adequado de exposição às telas, a idade ideal para o primeiro smartphone, o uso da tecnologia nas escolas e formas de promover hábitos digitais mais saudáveis.
A secretária de Educação, Bridget Phillipson, afirmou que as famílias precisam de orientações claras e confiáveis para lidar com os desafios do mundo digital.
Segundo ela, a tecnologia pode trazer benefícios importantes quando utilizada de forma equilibrada, especialmente para crianças com necessidades educacionais especiais e deficiências.
Ao mesmo tempo, a ministra alertou para preocupações crescentes relacionadas ao excesso de tempo de tela, incluindo dificuldades de concentração, redução das horas de sono e menor interação ao ar livre.
A Comissária para a Infância da Inglaterra, Rachel de Souza, destacou que muitos jovens também demonstram preocupação com o próprio uso da tecnologia.
Segundo ela, adolescentes frequentemente relatam dificuldades para controlar o tempo gasto em dispositivos e redes sociais, pedindo que adultos e instituições desempenhem um papel mais ativo na orientação e definição de limites.
A consulta também analisará o impacto dos videogames e do uso de dispositivos digitais no ambiente escolar, buscando identificar maneiras de utilizar a tecnologia como ferramenta de aprendizagem sem comprometer o desenvolvimento das crianças.
O debate acontece em meio a uma crescente preocupação do governo com a segurança online dos jovens.
Recentemente, o primeiro-ministro Keir Starmer pediu que empresas de tecnologia adotem medidas mais rigorosas para impedir que menores de idade enviem, recebam ou tenham acesso a conteúdos explícitos na internet.
O governo também avalia novas regras para plataformas digitais e já discute medidas relacionadas ao uso de smartphones por crianças e adolescentes.
Atualmente, orientações de saúde pública recomendam que crianças menores de cinco anos tenham uso limitado de telas, enquanto bebês com menos de dois anos não devem utilizar dispositivos eletrônicos sem supervisão.
As novas diretrizes deverão oferecer aos pais um conjunto mais amplo de recomendações para ajudar as famílias a encontrar um equilíbrio saudável entre tecnologia, educação e desenvolvimento infantil.