Um terço dos britânicos acredita que diploma universitário já

não compensa o investimento

Por Branwen Jeffreys
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BBC

Inquérito sobre empréstimos estudantis começa no Parlamento enquanto cresce a preocupação com o custo do ensino superior e o peso das dívidas dos graduados.

Um inquérito parlamentar sobre o sistema de empréstimos estudantis em Inglaterra começa esta terça-feira, num momento em que cresce o debate sobre o verdadeiro valor de um diploma universitário e o impacto das dívidas acumuladas pelos estudantes.

A investigação será conduzida pelo Comité do Tesouro da Câmara dos Comuns e ouvirá representantes de organizações estudantis, especialistas em educação e grupos que defendem os interesses dos graduados.

Paralelamente, uma nova pesquisa do estudo British Social Attitudes revela uma mudança significativa na perceção pública sobre o ensino superior. Segundo os dados, 34% dos britânicos acreditam atualmente que uma licenciatura "não vale o tempo nem o dinheiro investidos", mais do que o dobro dos 14% registados em 2005.

O estudo também mostra uma diminuição no número de pessoas que consideram que frequentar a universidade melhora significativamente as perspetivas de vida. Em 2005, metade dos inquiridos acreditava que os graduados ficavam "muito melhor" a longo prazo. Em 2025, esse número caiu para apenas 36%.

Entre as principais preocupações está o peso das dívidas estudantis. Muitos graduados afirmam que os juros acumulados fazem com que os montantes devidos continuem a crescer mesmo após anos de pagamentos.

É o caso de Gemma, formada em 2016, que relatou à BBC que a sua dívida estudantil aumentou de £34.105 para mais de £41.900 devido aos juros, apesar de já estar a efetuar reembolsos.

Atualmente a trabalhar numa empresa tecnológica e com um salário próximo das £50 mil anuais, Gemma reconhece que o diploma foi importante para a sua carreira, mas descreve a experiência de viver com a dívida como "desgastante".

"Parece que estou constantemente a tentar reduzir uma dívida que continua a aumentar. É como escalar uma montanha", afirmou.

Segundo ela, a dívida estudantil também influenciou decisões pessoais, incluindo o adiamento dos planos para constituir família.

Mais de 50 mil pessoas enviaram testemunhos ao comité parlamentar, muitos deles afirmando que não compreenderam totalmente as condições dos empréstimos quando ingressaram na universidade.

Atualmente, os graduados em Inglaterra reembolsam 9% dos seus rendimentos acima de um determinado limite. O governo confirmou ainda que o limite de rendimento para início dos pagamentos permanecerá congelado em £29.385 até 2030, o que fará com que mais graduados passem a contribuir durante mais tempo.

A União Nacional dos Estudantes (NUS) defende uma revisão do sistema, incluindo alterações aos limites de reembolso e às taxas de juro aplicadas aos empréstimos.

O grupo de campanha Rethink Repayment argumenta que o congelamento dos limites de rendimento contraria as condições inicialmente apresentadas aos estudantes quando os empréstimos foram contratados.

Por outro lado, representantes das universidades destacam que os benefícios do ensino superior continuam a ser significativos.

Vivienne Stern, diretora-executiva da Universities UK, afirmou que os dados continuam a demonstrar que os graduados têm maior probabilidade de conseguir emprego, obter salários mais elevados e apresentar melhores indicadores de saúde ao longo da vida.

O governo britânico defende o atual modelo, argumentando que o sistema protege os graduados com rendimentos mais baixos, uma vez que os pagamentos dependem do salário e qualquer dívida remanescente é cancelada ao fim do prazo previsto.

Ainda assim, o debate sobre o custo da educação superior e a sustentabilidade do sistema de empréstimos estudantis promete continuar no centro das atenções nos próximos meses.

FONTE: BBC News