Uma disputa sobre o futuro de uma pequena área verde em Bangor, na Irlanda do Norte, está dividindo moradores, políticos e empresários. O centro da controvérsia é um plano que prevê a construção de um estacionamento como parte do projeto de revitalização da Queen’s Parade, um dos maiores investimentos urbanos da região.
De um lado, moradores e grupos comunitários defendem a preservação da área verde, utilizada diariamente por famílias, corredores, ciclistas e passeadores de cães. Do outro, apoiadores do projeto argumentam que o estacionamento é essencial para garantir acessibilidade e viabilizar economicamente o desenvolvimento da região.
A proposta faz parte dos Marine Gardens, a primeira fase do ambicioso projeto de regeneração da Queen’s Parade, avaliado em cerca de £145 milhões.
Os planos atualizados incluem um parque infantil ampliado e um estacionamento com 81 vagas, localizado numa área atualmente ocupada por gramados e árvores maduras junto ao caminho costeiro.
A empresa responsável pelo desenvolvimento, Bangor Marine, afirma que o estacionamento é fundamental para atender famílias, visitantes idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
Segundo a desenvolvedora, outras alternativas foram analisadas, mas nenhuma apresentou viabilidade técnica ou financeira.
“Examinámos todas as opções disponíveis e esta é a única solução prática para atender às necessidades do projeto”, afirmou a empresa.
O projeto de revitalização prevê a construção de habitações, hotel, escritórios, lojas, cafés, restaurantes, áreas de lazer e novos espaços públicos na frente marítima de Bangor.
Os Marine Gardens deverão representar um investimento de aproximadamente £14 milhões, dos quais £9,8 milhões serão financiados pelo fundo governamental Levelling Up Fund.
No entanto, moradores contrários à proposta consideram que a destruição da área verde representa uma perda irreparável para a comunidade.
Loren Wilson, uma das responsáveis pela petição "Save Marine Gardens", que já reuniu mais de 4.500 assinaturas, afirma que o espaço é amplamente utilizado pela população local.
“Estamos a retirar uma área natural da comunidade para dar lugar a carros”, criticou.
A ex-apresentadora da BBC Irlanda do Norte, Linda McAuley, também se manifestou contra os planos. Embora reconheça a necessidade de estacionamento, acredita que existem alternativas que não exigem a eliminação da área verde.
“Não há necessidade de destruir uma zona madura, cheia de árvores e natureza, que é apreciada por pessoas de todas as idades durante todo o ano”, afirmou.
Por outro lado, defensores do projeto alertam que atrasos podem colocar em risco o financiamento e comprometer toda a regeneração da orla marítima.
Alison Blayney, diretora-executiva do Kilcooley Women’s Centre, considera o desenvolvimento essencial para o futuro económico da cidade.
“As empresas e o turismo precisam deste investimento. Não podemos permitir que todo o projeto fique bloqueado por causa de uma pequena faixa de relva”, afirmou.
A questão da acessibilidade também tem sido um dos principais argumentos a favor do estacionamento.
Mandy McCreight, que tem deficiência e é mãe de uma pessoa com necessidades especiais, acredita que o estacionamento facilitará o acesso ao futuro parque infantil para muitas famílias.
“O estacionamento é essencial para idosos, pessoas com deficiência e famílias com crianças”, defendeu.
Já Joyce Craig, mãe de uma criança com deficiência, discorda.
“Eu utilizaria este espaço para sentar e apreciar a vista da marina com o meu filho. Não como estacionamento”, afirmou.
Recentemente, os representantes unionistas no conselho municipal votaram a favor da proposta revista, enquanto uma moção que pedia mais tempo para estudar alternativas foi rejeitada.
Apesar disso, os opositores prometem continuar a procurar soluções que permitam conciliar o desenvolvimento urbano com a preservação do espaço verde.
O debate continua a dividir opiniões numa cidade que procura equilibrar crescimento económico, qualidade de vida e proteção ambiental.