Funcionários do NHS poderão ser proibidos de usar símbolos ou distintivos políticos nos uniformes, incluindo emblemas pró-Palestina ou pró-Israel, como parte de uma série de recomendações destinadas a combater o antissemitismo e outras formas de discriminação no sistema de saúde britânico.
A proposta faz parte de uma revisão independente conduzida por Lord Mann, conselheiro do governo para o combate ao antissemitismo. O relatório analisou casos de antissemitismo e racismo dentro do NHS e concluiu que alguns pacientes e profissionais judeus sentiram necessidade de esconder a sua identidade religiosa devido ao ambiente de trabalho.
Entre as recomendações apresentadas está a proibição do uso de símbolos políticos durante o exercício de funções, com o objetivo de garantir que hospitais e unidades de saúde permaneçam espaços neutros e acolhedores para todos os pacientes.
Segundo Lord Mann, o NHS não deve ser um local para a expressão de posicionamentos políticos.
“Um distintivo com a mensagem ‘Eu apoio a Palestina’ pode causar desconforto a alguns pacientes, da mesma forma que um símbolo de apoio a Israel pode causar desconforto a outros. Nenhum dos dois deveria ser usado”, afirmou.
O relatório alerta que a exibição de mensagens políticas por profissionais de saúde pode afetar a confiança dos pacientes e criar preocupações sobre a imparcialidade dos cuidados prestados.
Uma médica judia que trabalha num serviço de urgência em Inglaterra afirmou à BBC que se sentiu desconfortável ao ver colegas utilizando símbolos pró-Palestina durante o trabalho.
“O público deve ter confiança nos profissionais de saúde. Quando opiniões políticas são exibidas no ambiente clínico, essa confiança pode ser comprometida”, afirmou.
Além da questão dos símbolos políticos, o relatório recomenda uma maior responsabilização dos gestores do NHS, melhorias no registo e monitorização de incidentes racistas e a criação de mecanismos que permitam identificar melhor casos de discriminação contra profissionais e pacientes judeus.
Lord Mann também concluiu que existe um problema de exclusão e isolamento de funcionários judeus dentro do sistema de saúde.
Segundo o relatório, alguns profissionais chegaram a abandonar as suas carreiras no NHS devido ao ambiente que enfrentavam.
A investigação aponta ainda que alguns pacientes judeus têm evitado procurar atendimento médico por receio de sofrer discriminação ou tratamento inadequado.
O secretário da Saúde, James Murray, confirmou que o governo britânico pretende aceitar integralmente as recomendações apresentadas.
“Sabemos que as vítimas de discriminação precisam de ações concretas e não apenas de palavras. Trabalharemos com o NHS para implementar estas recomendações o mais rapidamente possível”, declarou.
A Associação Médica Judaica apoiou a proposta, defendendo a proibição de símbolos políticos relacionados com qualquer país ou causa, de forma imparcial e sem discriminação.
Por outro lado, a questão continua a gerar debate. Alguns profissionais de saúde já contestam judicialmente políticas semelhantes implementadas por determinados hospitais, alegando que restringem a liberdade de expressão.
O NHS England informou que está a rever as suas orientações sobre uniformes e vestuário profissional, e que analisará as recomendações apresentadas antes de definir uma nova política nacional.