O chefe das Forças Armadas do Reino Unido, Marechal do Ar Sir Richard Knighton, alertou que o atual plano de financiamento da defesa poderá obrigar as forças militares a reduzir operações, exercícios e programas de treino caso não sejam disponibilizados recursos adicionais.
A declaração surge poucos dias após a demissão do antigo Secretário da Defesa, John Healey, que abandonou o cargo alegando que os planos de investimento propostos pelo governo não garantem a preparação necessária das forças armadas perante os desafios de segurança atuais.
Segundo Knighton, o principal problema está no financiamento das atividades operacionais do dia a dia, responsáveis por manter militares treinados e preparados para responder rapidamente a possíveis ameaças.
O Plano de Investimento em Defesa (DIP), que deverá definir os gastos militares para a próxima década, foi adiado após a saída de Healey e continua sob revisão do novo Secretário da Defesa, Dan Jarvis.
John Healey afirmou que o financiamento adicional previsto pelo governo ficaria muito abaixo das necessidades apresentadas pelos responsáveis militares. Segundo o antigo ministro, o Reino Unido precisa acelerar os investimentos em defesa para acompanhar os restantes aliados da NATO e responder ao atual cenário internacional.
Durante uma intervenção no Parlamento, Healey argumentou que a estratégia atual adia investimentos essenciais para os próximos anos, quando a prioridade deveria ser reforçar imediatamente a capacidade operacional das forças britânicas.
Sir Richard Knighton reforçou essa preocupação ao afirmar que, sem mais recursos, será necessário reduzir exercícios militares, missões de treino e outras atividades fundamentais para manter os militares preparados.
As críticas também foram partilhadas por Al Carns, antigo Ministro das Forças Armadas, que igualmente se demitiu e classificou o atual nível de investimento como insuficiente para enfrentar os desafios de defesa do país.
Por sua vez, o primeiro-ministro Keir Starmer defendeu a estratégia do governo, destacando que os gastos com defesa estão a aumentar e que novas decisões sobre prioridades militares serão tomadas após a conclusão da revisão atualmente conduzida pelo Ministério da Defesa.
O debate surge num momento de crescente instabilidade internacional, marcado pela guerra na Ucrânia, tensões no Médio Oriente e preocupações crescentes com a segurança europeia, fatores que têm levado vários países da NATO a reforçar significativamente os seus orçamentos militares.