Três em cada quatro trabalhadores não estão a poupar o suficiente para uma reforma

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Por Kevin Peachey
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Mais de três quartos dos trabalhadores do Reino Unido não estão a poupar o suficiente para alcançar um padrão de vida considerado “moderado” durante a reforma, segundo um novo relatório divulgado pela Pensions UK.

O estudo alerta para o risco de uma “queda acentuada de rendimento” quando muitos trabalhadores se aposentarem, uma vez que as poupanças acumuladas poderão não ser suficientes para manter o estilo de vida desejado.

De acordo com o relatório, uma reforma com um padrão de vida moderado exige atualmente um rendimento anual de cerca de £32.700 para uma pessoa e £45.400 para um casal. No entanto, apenas 23% da população ativa está no caminho certo para atingir esse nível de rendimento na aposentadoria.

O aumento do custo de vida tem contribuído para agravar o problema. Segundo a Pensions UK, despesas relacionadas com alimentação, lazer e atividades sociais elevaram significativamente o valor necessário para manter uma reforma confortável.

O relatório também estima que um padrão de vida mínimo na reforma exige cerca de £13.900 por ano para uma pessoa e £22.500 para um casal.

Já uma reforma considerada confortável requer aproximadamente £45.400 anuais para uma pessoa e £62.700 para duas pessoas. Apenas 9% dos trabalhadores estão atualmente a poupar o suficiente para alcançar esse nível.

Os cálculos são desenvolvidos de forma independente pelo Centro de Investigação em Política Social da Universidade de Loughborough e servem como referência para ajudar os britânicos a planear as suas finanças para a aposentadoria.

Segundo o estudo, cerca de 82% dos trabalhadores deverão conseguir atingir o padrão mínimo de rendimento na reforma, mas poucos irão além desse patamar.

Zoe Alexander, diretora da Pensions UK, afirmou que existe uma diferença significativa entre aquilo que as pessoas esperam da sua reforma e aquilo que estão efetivamente a poupar.

“Muito menos pessoas conseguirão ultrapassar o nível mínimo. Isso está longe das expectativas que muitos têm para o seu futuro. Sem ação, muitos enfrentarão uma queda considerável no rendimento quando deixarem de trabalhar”, alertou.

A organização defende uma maior colaboração entre trabalhadores, empregadores e governo para incentivar o aumento das poupanças destinadas à reforma.

O debate surge num momento em que o governo britânico volta a analisar o sistema de pensões. No ano passado, os ministros relançaram uma comissão dedicada à revisão das reformas, com o objetivo de avaliar se os atuais níveis de poupança são suficientes para garantir segurança financeira às futuras gerações.

Dados recentes também mostram desigualdades significativas entre homens e mulheres. Segundo números da autoridade fiscal britânica, as mulheres acumulam, em média, apenas metade das poupanças para a reforma registadas pelos homens.

Estudos apontam ainda que essa diferença começa a tornar-se evidente por volta dos 28 anos de idade, refletindo disparidades salariais e interrupções de carreira relacionadas com responsabilidades familiares.

Especialistas alertam que, sem mudanças significativas nos hábitos de poupança e nas políticas de reforma, milhões de britânicos poderão enfrentar dificuldades financeiras quando deixarem o mercado de trabalho.

 
FONTE: BBC News