EUA anunciam novas tarifas sobre importações por preocupações com trabalho forçado

Medida poderá afetar dezenas de paíse!

Por Mitchell Labiak
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Os Estados Unidos anunciaram novas tarifas sobre importações provenientes de dezenas de países, alegando preocupações relacionadas com o combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de abastecimento. A medida poderá afetar parceiros comerciais responsáveis por quase todas as importações norte-americanas.

A decisão marca a segunda grande iniciativa tarifária da administração do presidente Donald Trump desde que o Supremo Tribunal dos EUA anulou parte das tarifas anteriormente impostas pelo governo, em fevereiro deste ano.

Segundo o Departamento de Comércio dos EUA, as novas tarifas variam entre 10% e 12,5% e têm como objetivo pressionar países que, na visão de Washington, não estão a fazer o suficiente para impedir a importação de produtos fabricados com recurso ao trabalho forçado.

Ao todo, 60 parceiros comerciais foram incluídos na lista, abrangendo países como Reino Unido, Canadá, União Europeia, Índia, Japão, China e México. Juntos, representam cerca de 99% das importações realizadas pelos Estados Unidos.

A investigação, iniciada em março pelo Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, concluiu que a maioria dos países analisados não implementou ou não aplicou de forma eficaz medidas para impedir a entrada de bens produzidos com trabalho forçado.

De acordo com o relatório, 54 países não possuem mecanismos considerados adequados para proibir a importação desses produtos, enquanto outros seis — incluindo Canadá, União Europeia, México e Indonésia — foram criticados pela alegada falta de fiscalização das regras existentes.

Caso a medida avance, países como Reino Unido, Canadá, União Europeia, México, Paquistão, Malásia, Bangladesh e Taiwan enfrentarão tarifas de 10%. Já a China, a Índia e outros países incluídos na lista poderão ser alvo de tarifas de 12,5%.

A proposta ainda terá de passar por procedimentos legais antes de entrar oficialmente em vigor.

A reação internacional foi imediata. O governo britânico afirmou que continua empenhado no combate ao trabalho forçado e destacou as medidas implementadas para impedir que empresas do Reino Unido sejam associadas a violações dos direitos humanos.

Já a China rejeitou categoricamente as acusações e classificou a medida como uma ação unilateral sem fundamento.

“Não existe o chamado trabalho forçado na China. Oponhamo-nos ao uso desta questão como pretexto para manipulação política”, declarou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning.

A Comissão Europeia também criticou a iniciativa, considerando as tarifas “injustificadas” e reafirmando o compromisso da União Europeia com os acordos comerciais anteriormente negociados com Washington.

Especialistas alertam que a decisão poderá aumentar as tensões comerciais entre os Estados Unidos e vários dos seus principais parceiros económicos, além de gerar novos impactos nos preços e nas cadeias globais de fornecimento.

A medida surge num momento em que o governo Trump procura reforçar a proteção da indústria e dos trabalhadores norte-americanos, ao mesmo tempo que endurece a sua política comercial perante alegadas práticas consideradas injustas no comércio internacional.

 
FONTE: BBC News