Ex-primeiro-ministro pede investigação conjunta sobre escândalo financeiro

envolvendo ex-chefe do SNP

Por Tiago Coo e Angus CochraneTradução
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Ex-primeiro-ministro pede investigação conjunta sobre escândalo financeiro
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Jack McConnell defende que os parlamentos da Escócia e do Reino Unido unam esforços para apurar o caso de Peter Murrell e avaliar possíveis falhas de supervisão.

O ex-primeiro-ministro da Escócia, Jack McConnell, defendeu a realização de uma investigação conjunta entre os parlamentos de Holyrood e Westminster para analisar o escândalo financeiro envolvendo Peter Murrell, antigo diretor-executivo do Partido Nacional Escocês (SNP) e ex-marido de Nicola Sturgeon.

Murrell declarou-se culpado na semana passada por ter desviado mais de £400 mil das finanças do SNP ao longo de um período de 12 anos, num dos casos mais graves da história recente da política escocesa.

McConnell, que liderou o governo escocês entre 2001 e 2007, afirmou que uma investigação conjunta seria a forma mais credível de garantir transparência e restaurar a confiança pública.

Segundo ele, uma investigação conduzida apenas pelo Parlamento escocês poderia ser acusada de encobrimento, enquanto uma investigação exclusiva de Westminster poderia ser vista como uma tentativa de atacar politicamente o SNP.

O ex-primeiro-ministro também defendeu que o inquérito analise a relação entre o governo escocês e o sistema de acusação pública, além de verificar se fundos públicos destinados ao partido em Westminster foram afetados pelo desvio de verbas.

As declarações surgem depois de Nicola Sturgeon negar, em entrevista à BBC, qualquer conhecimento das irregularidades cometidas por Murrell ou qualquer tentativa de ocultar problemas financeiros dentro do partido.

A ex-primeira-ministra afirmou que nunca teve acesso a informações que pudessem indicar os crimes pelos quais o ex-marido acabou por admitir culpa.

“A ideia de que existia algo nas contas que me teria alertado para o que Peter fez é simplesmente falsa”, declarou Sturgeon.

O atual primeiro-ministro escocês, John Swinney, rejeitou os pedidos para uma nova investigação parlamentar, argumentando que o caso já foi alvo de uma extensa investigação policial e judicial.

Segundo Swinney, a polícia realizou uma análise forense detalhada que resultou numa acusação formal e numa confissão de culpa, não existindo necessidade de uma nova investigação política.

No entanto, partidos da oposição e antigos membros do SNP continuam a questionar a gestão financeira da organização e a forma como preocupações levantadas internamente foram tratadas nos últimos anos.

Críticos apontam para a saída de vários dirigentes do partido em 2021, incluindo o então tesoureiro Douglas Chapman, que alegou não ter acesso a documentos financeiros essenciais.

A ex-deputada Joanna Cherry também afirmou recentemente que alertas internos sobre a falta de transparência não receberam a devida atenção da liderança do SNP.

Enquanto o debate político continua, Peter Murrell aguarda agora a sentença judicial, que deverá ser anunciada ainda este mês.

O caso continua a gerar forte impacto na política escocesa e a levantar questões sobre supervisão financeira, transparência partidária e confiança pública nas instituições.

 


FONTE: BBC News
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