Um novo centro de detenção de migrantes no norte da França, parcialmente financiado pelo Reino Unido, está enfrentando um desafio judicial que pode atrasar os planos britânicos para combater as travessias ilegais do Canal da Mancha.
A instalação está sendo construída perto de Dunquerque, na região de Loon-Plage, e faz parte de um acordo de £660 milhões firmado entre os governos britânico e francês para reforçar o controle migratório.
O governo do Reino Unido prometeu contribuir com cerca de £160 milhões para o projeto, mas afirmou que os pagamentos dependerão de resultados concretos na redução das travessias em pequenos barcos.
O centro de detenção é considerado uma peça-chave da estratégia do primeiro-ministro Keir Starmer para conter a imigração irregular e reforçar o controle das fronteiras britânicas.
A secretária do Interior, Shabana Mahmood, afirmou recentemente que o acordo ajudará a “restaurar a ordem e o controle das fronteiras”.
No entanto, um grupo ambientalista francês chamado ADELFA entrou com uma ação judicial para tentar impedir a abertura da instalação.
A organização argumenta que o centro viola regras locais de urbanismo, já que estaria localizado numa zona industrial onde alojamentos residenciais não seriam permitidos.
Os opositores também alegam riscos relacionados à proximidade de instalações industriais que utilizam amônia refrigerada, além de questionarem possíveis falhas nas normas de segurança contra incêndio.
O recurso está sendo analisado pelo Tribunal Administrativo de Lille.
Especialistas jurídicos franceses afirmam que a ação não impede imediatamente a continuidade das obras, mas pode atrasar significativamente a abertura do centro caso a licença de construção seja revista ou anulada.
Segundo o Ministério do Interior britânico, o centro deverá estar operacional até o final deste ano.
A instalação terá capacidade para cerca de 140 pessoas e deverá contar com mais de 200 agentes franceses responsáveis por deter migrantes que tentem embarcar em pequenos barcos rumo ao Reino Unido.
Os migrantes detidos poderão ser deportados para seus países de origem ou enviados de volta a outros países da União Europeia por onde tenham passado anteriormente.
O centro deverá concentrar-se principalmente em migrantes oriundos de países como Eritreia, Afeganistão, Irã, Sudão, Somália, Etiópia, Iraque, Síria, Vietnã e Iêmen — principais nacionalidades envolvidas nas travessias pelo Canal da Mancha nos últimos anos.
Enquanto isso, especialistas alertam que o sucesso do plano dependerá não apenas da infraestrutura, mas também da cooperação política e jurídica entre Reino Unido e França, além da capacidade efetiva de deportação dos migrantes detidos.