A multinacional de energia BP anunciou o afastamento imediato de seu presidente, Albert Manifold, após o conselho da empresa identificar “sérias preocupações” relacionadas à governança corporativa, supervisão e conduta.
A decisão foi comunicada nesta terça-feira e provocou uma queda de cerca de 6% nas ações da companhia. O executivo ocupava o cargo havia menos de um ano.
Segundo a diretora independente sênior da empresa, Amanda Blanc, o conselho ficou “surpreso e desapontado” ao descobrir questões consideradas inaceitáveis dentro da administração da companhia.
Com a saída de Manifold, Ian Tyler foi nomeado presidente interino com efeito imediato, enquanto a empresa inicia a busca por um substituto permanente.
Albert Manifold entrou para a BP em setembro de 2025 como diretor não executivo e assumiu a presidência apenas um mês depois. Na época, a companhia destacou sua experiência em liderança estratégica e operações corporativas.
A crise interna surge em um momento financeiramente positivo para a petrolífera. Recentemente, a BP divulgou um lucro de US$ 3,2 bilhões (cerca de £2,4 bilhões) entre janeiro e março, impulsionado pela alta nos preços do petróleo após o agravamento do conflito envolvendo o Irã.
A saída de Manifold também acontece semanas após a assembleia geral anual da empresa, quando quase 20% dos acionistas votaram contra sua permanência no cargo por preocupações relacionadas à governança corporativa.
Parte das críticas estava ligada à decisão da BP de rejeitar uma proposta apresentada por ativistas climáticos durante a assembleia. Manifold alegou que a resolução não havia sido protocolada corretamente.
O presidente interino Ian Tyler afirmou que o conselho mantém “profunda confiança” na estratégia atual da companhia e elogiou o trabalho da CEO Meg O'Neill, que assumiu o comando da empresa em dezembro do ano passado.
Ela substituiu Murray Auchincloss, que deixou o cargo menos de dois anos após assumir a função deixada por Bernard Looney.
Looney renunciou em 2023 após investigações concluírem que ele cometeu “má conduta grave” ao não revelar relacionamentos pessoais com colegas da empresa.