A secretária de Educação do Reino Unido, Bridget Phillipson, deve solicitar que a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) investigue possíveis cobranças ocultas feitas por creches que oferecem vagas financiadas pelo governo.
Atualmente, pais trabalhadores elegíveis com filhos entre nove meses e quatro anos na Inglaterra têm direito a até 30 horas semanais de cuidados infantis financiados pelo Estado. No entanto, ministros estão preocupados com relatos de famílias que ainda enfrentam custos elevados para garantir essas vagas.
Entre as cobranças apontadas estão depósitos não reembolsáveis e taxas extras para itens como alimentação, lanches, fraldas, lenços umedecidos e até protetor solar. O temor do governo é que esses custos adicionais acabem criando barreiras para famílias que já enfrentam dificuldades financeiras.
Segundo informações divulgadas inicialmente pelo Financial Times, o governo pedirá que a CMA — órgão responsável por proteger consumidores e promover a concorrência justa — analise se essas práticas estão prejudicando o acesso ao benefício.
O jornalista especializado em finanças pessoais Rick Kelsey afirmou à BBC Radio 4 que muitos pais ficaram animados quando os subsídios começaram a ser ampliados no ano passado, mas acabaram surpreendidos com cobranças extras.
Segundo ele, algumas famílias estão pagando cerca de £16 por dia em “consumíveis”, incluindo alimentação e protetor solar.
“Eu adoraria ver uma criança comer £16 em nuggets e queijo Babybel em um único dia”, ironizou.
Kelsey afirmou ainda que muitos pais não sabem quanto realmente irão pagar no final do mês, descrevendo a situação como um verdadeiro “jogo de fumaça e espelhos”.
Apesar das críticas, ele reconheceu que muitas creches também enfrentam dificuldades financeiras devido ao baixo financiamento recebido do governo.
O diretor-executivo da Early Years Alliance, Neil Leitch, afirmou que as cobranças adicionais existem porque o setor de educação infantil está “cronicamente subfinanciado”.
Segundo ele, os valores pagos pelo governo às creches não cobrem os custos reais do serviço.
“Se a CMA vai investigar alguma coisa, deveria investigar se o setor está sendo financiado adequadamente”, afirmou.
Leitch também criticou o aumento das contribuições do Seguro Nacional sem um reajuste proporcional no repasse feito às creches.
Dados do Departamento de Educação mostram que mais de 1,7 milhão de pais na Inglaterra utilizam atualmente horas de assistência infantil financiadas pelo governo.
Mesmo com os subsídios, o custo médio de uma creche em período integral — cerca de 50 horas semanais — para crianças menores de dois anos ainda gira em torno de £149 por semana na Inglaterra em 2026.
Apesar de representar uma queda de 39% em relação ao ano anterior, os custos continuam sendo uma preocupação para muitas famílias.
Na Escócia, o valor médio chega a £259 por semana, enquanto no País de Gales ultrapassa £325 semanais.
Após resultados negativos nas eleições locais deste mês, o governo britânico busca mostrar medidas práticas para reduzir o impacto do custo de vida sobre as famílias.
Além do tema das creches, a chanceler Rachel Reeves anunciou novos incentivos para o verão, incluindo descontos em atrações familiares como zoológicos, museus e parques temáticos por meio de redução de impostos.
Também foram anunciadas viagens gratuitas de ônibus para menores de 16 anos durante o mês de agosto e cortes em tarifas de importação de alguns alimentos básicos, dentro da campanha “Great British Summer Savings”.