O governo do Reino Unido anunciou um projeto-piloto que poderá mudar a forma como médicos de família emitem as chamadas “fit notes” — documentos usados para afastar trabalhadores por motivos de saúde.
A proposta busca substituir parte das declarações de incapacidade para o trabalho por programas de apoio voltados à recuperação e permanência das pessoas em seus empregos.
Atualmente, mais de 11 milhões de fit notes são emitidas todos os anos na Inglaterra, número que aumentou significativamente após a pandemia de Covid-19. Segundo o governo, o sistema atual está “quebrado”, já que muitas pessoas acabam afastadas do trabalho sem receber suporte adequado para retornar às atividades.
Os projetos-piloto acontecerão em quatro regiões da Inglaterra e devem abranger cerca de 100 mil atendimentos ao longo de um ano.
Em algumas áreas, médicos continuarão emitindo as fit notes, mas os pacientes serão automaticamente encaminhados para serviços de apoio, como fisioterapia, aconselhamento psicológico e suporte profissional.
Já em outras regiões, os médicos deixarão de emitir as declarações tradicionais e encaminharão diretamente os pacientes para programas especializados de acompanhamento.
O objetivo é incentivar um modelo mais focado na recuperação e adaptação do ambiente de trabalho, incluindo diálogo com empregadores sobre ajustes necessários para que funcionários possam continuar trabalhando de forma segura.
O secretário de Trabalho e Pensões do Reino Unido, Pat McFadden, afirmou que o sistema atual se tornou “um beco sem saída”.
“As fit notes dizem às pessoas que elas não podem trabalhar, mas não fazem nada para ajudá-las a melhorar”, declarou.
O governo também enfrenta pressão devido ao aumento dos gastos com benefícios sociais e ao crescimento do número de pessoas fora do mercado de trabalho por questões de saúde, especialmente problemas de saúde mental e doenças musculoesqueléticas.
Especialistas em saúde mental apoiaram a ideia de ampliar o suporte aos trabalhadores, mas alertaram que ninguém deve ser pressionado a retornar ao trabalho antes de estar realmente preparado.
A presidente do Royal College of GPs, professora Victoria Tzortziou Brown, afirmou que o atual sistema gera excesso de burocracia para os médicos e destacou que qualquer mudança deve priorizar a saúde e o bem-estar dos pacientes.