Reino Unido reduz novas sanções petrolíferas russas à medida que os preços
dos combustíveis sobem
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O governo do Reino Unido decidiu suavizar temporariamente os planos de proibir a importação de diesel e combustível de aviação produzidos a partir de petróleo russo refinado em países terceiros, diante de preocupações com o abastecimento global e o aumento dos preços da energia.
A medida ocorre em meio às tensões no Oriente Médio e ao impacto da guerra entre EUA, Israel e Irã sobre o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para transporte de petróleo e gás.
Segundo fontes do setor, o governo britânico irá implementar as novas sanções de forma gradual nos próximos meses, para evitar instabilidade no mercado de combustíveis.
O Ministério das Relações Exteriores negou que a decisão represente um enfraquecimento das sanções contra a Rússia, mas admitiu que flexibilizações temporárias são necessárias diante do cenário atual.
O plano original previa bloquear totalmente a entrada no Reino Unido de combustíveis derivados de petróleo russo, mesmo quando refinados em países como Índia e Turquia. A proposta havia sido anunciada em outubro do ano passado, após investigações revelarem que milhões de barris de combustível russo ainda chegavam ao Reino Unido através dessas rotas indiretas.
Dados do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA) estimam que cerca de £1,8 bilhão em produtos petrolíferos derivados de petróleo russo foram importados pelo Reino Unido desde o fim de 2022, principalmente via Índia e Turquia.
Com a nova decisão, o governo britânico permitirá temporariamente a continuidade dessas importações, especialmente de combustível de aviação, essencial para o mercado europeu.
O conflito no Oriente Médio provocou forte impacto no transporte global de energia. Mais da metade do combustível de aviação da Europa passa pelo Estreito de Ormuz, e os preços praticamente dobraram desde o início da escalada militar.
Antes dos ataques, o combustível de aviação era negociado a cerca de US$ 831 por tonelada na Europa. Em abril, chegou a ultrapassar US$ 1.800 e atualmente permanece em torno de US$ 1.375.
A decisão do governo britânico gerou críticas de aliados da Ucrânia e de políticos europeus. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que “cada dólar pago pelo petróleo russo financia a guerra”.
Já o presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que a crise no Oriente Médio “não justifica o enfraquecimento das sanções contra Moscou”.
No Reino Unido, a líder conservadora Kemi Badenoch acusou o governo trabalhista de “perder sua bússola moral” ao flexibilizar medidas contra a Rússia.
O primeiro-ministro Keir Starmer rebateu as críticas e afirmou que o país continua comprometido com o apoio à Ucrânia e com o aumento da pressão econômica sobre o governo de Vladimir Putin.