Falhas no projeto ferroviário HS2 foram atribuídas ao foco excessivo em altas velocidades e à pressão política para acelerar o andamento das obras, segundo uma nova revisão que deve ser divulgada nesta semana.
O relatório, elaborado pelo ex-conselheiro de Segurança Nacional Stephen Lovegrove, analisou os impactos do projeto no serviço público e no setor estatal. A expectativa é que o documento concorde com avaliações anteriores de que os chamados “pecados originais” do HS2 incluíram mudanças constantes de prioridades políticas e o aumento contínuo dos custos.
A revisão também deve apontar que houve um “excesso de sofisticação” no conceito de alta velocidade, resultando em um projeto altamente personalizado e tecnicamente complexo, o que contribuiu para elevar ainda mais os gastos.
Nos próximos dias, a secretária de Transportes do Reino Unido, Heidi Alexander, deve confirmar que os trens não começarão a operar antes de 2033, ultrapassando o cronograma atual. Ela também deverá apresentar um novo orçamento atualizado para o projeto, que já é amplamente estimado em mais de £100 bilhões.
O principal objetivo do HS2 era ampliar a capacidade da rede ferroviária britânica, conectando Londres ao norte da Inglaterra com maior rapidez. No entanto, o projeto enfrentou sucessivos atrasos e explosão de custos desde seu lançamento.
Os planos originais, apresentados em 2012, previam uma linha ligando Londres a Birmingham, com extensões para Manchester e Leeds. Porém, em 2021, o governo cancelou o trecho leste para Leeds e, dois anos depois, abandonou também a ligação entre Birmingham e Manchester.
Em 2025, Heidi Alexander afirmou que, após uma “ladainha de fracassos”, o governo estava promovendo uma redefinição completa do HS2. O executivo-chefe da HS2 Ltd, Mark Wild, foi encarregado de liderar essa reformulação.
A presidente do Comitê de Transportes do Parlamento, Ruth Cadbury, afirmou que o problema do HS2 “não é apenas a velocidade”, mas também o fato de as obras terem começado antes da conclusão total do planejamento e das aprovações necessárias.
Segundo ela, o projeto contrariou um princípio básico de grandes obras de infraestrutura: “planejar devagar e construir rápido”.
O HS2 foi projetado para permitir velocidades de até 360 km/h, tornando-se potencialmente a ferrovia convencional mais rápida do mundo. Atualmente, a maioria dos trens de alta velocidade no Reino Unido opera em torno de 200 km/h, enquanto a linha HS1 chega a até 300 km/h.
Apesar das dificuldades, importantes estruturas do projeto já foram concluídas, incluindo o túnel de 16 km sob a região de Chilterns e o viaduto de Colne Valley.
Como parte da tentativa de controlar os custos, a HS2 Ltd informou anteriormente que reduziria ou pausaria algumas obras para priorizar áreas consideradas mais atrasadas do projeto.