Primeira vacina projetada por inteligência artificial avança

em testes humanos

Por James Gallagher
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Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Cambridge anunciou o desenvolvimento daquilo que pode ser a primeira vacina do mundo com um componente-chave totalmente projetado por inteligência artificial (IA) e posteriormente testado em seres humanos.

A tecnologia representa uma nova abordagem no desenvolvimento de vacinas e pode abrir caminho para a criação de imunizantes capazes de proteger contra famílias inteiras de vírus, incluindo futuras ameaças ainda desconhecidas.

O projeto foi desenvolvido com foco nos coronavírus, grupo que inclui a Covid-19 e outras variantes que circulam entre animais e que, no futuro, podem representar riscos à saúde humana.

Segundo os cientistas, o objetivo é criar vacinas que não protejam apenas contra os vírus atuais, mas também contra possíveis mutações e novos surtos.

“Estamos tentando nos antecipar às próximas pandemias, em vez de apenas reagir a elas”, explicou o professor Jonathan Heeney, da Universidade de Cambridge.

Como a vacina funciona?

Tradicionalmente, as vacinas são desenvolvidas a partir de versões já conhecidas de um vírus. Neste caso, os pesquisadores utilizaram códigos genéticos de diversos coronavírus identificados por programas internacionais de monitoramento de doenças.

Essas informações foram analisadas por sistemas de inteligência artificial, que projetaram um chamado “superantígeno” — componente capaz de treinar o sistema imunológico para reconhecer características comuns a diferentes vírus da mesma família.

Os antígenos são as partes da vacina que ensinam o organismo a identificar e combater uma infecção.

A expectativa é que essa abordagem ofereça proteção mais ampla, mesmo quando os vírus sofrem mutações ou quando novas variantes surgem.

Por isso, a tecnologia também vem sendo chamada de estratégia do “cavalo de Troia”, já que leva o sistema imunológico a reconhecer diferentes ameaças antes mesmo que elas apareçam.

Primeiros testes em humanos

Os primeiros ensaios clínicos envolveram 39 voluntários e tiveram como principal objetivo avaliar a segurança da vacina.

Os resultados iniciais, publicados no Journal of Infection, mostraram que o imunizante foi seguro e produziu respostas imunológicas consideradas promissoras.

Um segundo estudo, envolvendo cerca de 200 participantes, já está em andamento para avaliar com mais precisão a eficácia da tecnologia.

Embora os pesquisadores descrevam os resultados iniciais como “modestos”, a comunidade científica considera o avanço extremamente relevante.

O professor Saul Faust, da Universidade de Southampton, que participou dos testes, afirmou que a tecnologia tem grande potencial para revolucionar a preparação contra futuras pandemias.

Novas vacinas já estão em desenvolvimento

Além do coronavírus, a equipe de Cambridge já trabalha em versões da tecnologia para combater outros vírus com potencial pandêmico.

Entre eles estão:

• Gripe sazonal; • Gripe aviária H5N1; • Ebola;
• Febres hemorrágicas virais.

Os pesquisadores acreditam que, no futuro, a inteligência artificial poderá acelerar significativamente o desenvolvimento de vacinas e reduzir o tempo necessário para responder a novas ameaças sanitárias.

Um possível marco para a saúde global

Especialistas destacam que a inteligência artificial pode transformar a forma como as vacinas são criadas, permitindo prever com maior precisão como o sistema imunológico reagirá a novos imunizantes.

Para a professora Marian Knight, diretora científica do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde e Cuidados do Reino Unido, os resultados representam um avanço histórico.

“O sucesso deste estudo marca um salto importante na nossa capacidade de desenvolver proteção ampla e duradoura contra vírus”, afirmou.

Já o ministro britânico da Ciência, Lord Vallance, classificou o projeto como mais um exemplo da combinação entre pesquisa científica e inteligência artificial para criar tratamentos inovadores.

Embora ainda sejam necessários estudos maiores para confirmar a eficácia da vacina, os primeiros resultados reforçam o potencial da IA como uma ferramenta fundamental na prevenção das próximas pandemias.

FONTE: BBC News