Protestos por caso Henry Nowak deixam 11 policiais feridos e resultam em prisões
em Southampton
Reuters
Confrontos ocorreram após a condenação do assassino de Henry Nowak. Manifestantes entraram em choque com a polícia, enquanto cresce a pressão sobre as autoridades pela forma como o caso foi inicialmente conduzido.
Duas pessoas foram presas e 11 policiais, além de um cão policial, ficaram feridos durante confrontos registados em Southampton, no sul de Inglaterra, após protestos relacionados com a morte de Henry Nowak, de 18 anos.
Os distúrbios ocorreram na noite de terça-feira, quando manifestantes entraram em confronto com a polícia nas proximidades da residência de Vickrum Digwa, condenado pelo assassinato de Nowak. O agressor, de 23 anos, recebeu na segunda-feira uma pena de prisão perpétua com um período mínimo de 21 anos antes de poder solicitar liberdade condicional.
A manifestação começou junto à esquadra central de Southampton e posteriormente deslocou-se para a zona de Portswood, onde vive a família do condenado. Durante os confrontos, objetos como garrafas, cadeiras, latas e sinalizadores foram lançados contra os agentes, obrigando a polícia a recuar em alguns momentos.
O chefe da polícia local, Alexis Boon, condenou os atos de violência e afirmou que algumas pessoas compareceram ao local com a clara intenção de causar desordem.
“Não podemos aceitar as cenas violentas que vimos em Southampton. Houve ataques contra agentes, danos em propriedades e ameaças dirigidas aos nossos oficiais”, declarou.
Segundo Boon, novas detenções poderão ocorrer à medida que as investigações avancem, e o reforço do policiamento na região deverá continuar nos próximos dias.
O deputado trabalhista Darren Paffey apelou à calma e recordou as palavras do pai de Henry Nowak, que pediu que a morte do filho não fosse utilizada para alimentar divisão, ódio ou tensões na comunidade.
“O que vimos esta noite foi exatamente o contrário daquilo que a família pediu”, afirmou o parlamentar.
A também deputada trabalhista Satvir Kaur declarou que este deveria ser um momento de união e apoio à família, e não de confrontos que colocam comunidades umas contra as outras.
A secretária do Interior, Shabana Mahmood, classificou como “inaceitáveis” os ataques contra os agentes envolvidos na operação de segurança.
O caso ganhou grande repercussão nacional após a divulgação de imagens que mostram Henry Nowak algemado e a informar repetidamente aos agentes que tinha sido esfaqueado. Segundo a investigação, Digwa alegou falsamente ter sido vítima de um ataque racista, levando inicialmente os policiais a deterem a vítima em vez do agressor.
As imagens levantaram sérias questões sobre a atuação policial naquela noite. O Escritório Independente para a Conduta Policial (IOPC) abriu uma investigação para apurar os procedimentos adotados pelos agentes envolvidos.
O primeiro-ministro Sir Keir Starmer afirmou que existem “questões sérias” que precisam ser esclarecidas após a divulgação dos vídeos.
A Polícia de Hampshire e da Ilha de Wight confirmou ainda que um dos agentes envolvidos já deixou a corporação, enquanto outros três continuam em serviço e estão a colaborar com as investigações como testemunhas.
As autoridades alertaram também para a disseminação de informações falsas nas redes sociais, depois de um policial sem ligação ao caso ter sido identificado incorretamente online e alvo de ameaças de morte.
O relatório preliminar do IOPC deverá ser divulgado nos próximos meses.