Procedimentos que estimulam a produção natural de colágeno ganham espaço na estética moderna e atraem quem busca resultados mais naturais e duradouros.
A estética mudou. O padrão de beleza extremamente artificial, marcado por exageros e rostos sem expressão, começa a perder espaço para uma nova tendência: o rejuvenescimento regenerativo. Em vez de transformar o rosto, o objetivo agora é estimular o próprio corpo a recuperar firmeza, sustentação e qualidade da pele. É justamente nesse cenário que os bioestimuladores de colágeno se tornaram um dos procedimentos mais procurados na estética avançada.
Nas clínicas, a procura cresce entre pacientes que desejam combater a flacidez, a perda do contorno facial, o envelhecimento da pele e até alterações corporais sem recorrer a cirurgias invasivas. O sucesso desses tratamentos está diretamente ligado ao conceito de naturalidade. Diferentemente dos preenchimentos tradicionais, os bioestimuladores não têm como principal função "preencher" estruturas faciais de forma imediata, mas estimular o organismo a produzir novo colágeno ao longo do tempo.
Segundo estudo publicado na revista científica Research, Society and Development, os bioestimuladores atuam nas camadas mais profundas da pele, promovendo uma melhora progressiva da firmeza, elasticidade e hidratação cutânea.
O colágeno é uma das proteínas mais importantes do corpo humano. Ele representa cerca de 25% a 30% de toda a proteína corporal e funciona como uma espécie de "estrutura" da pele, sendo responsável pela sustentação e resistência dos tecidos. No entanto, a partir dos 30 anos, sua produção começa a diminuir gradualmente.
Com essa redução natural, surgem rugas, linhas de expressão, flacidez e perda do contorno facial. Além do envelhecimento cronológico, fatores externos aceleram esse processo. Exposição solar excessiva, estresse oxidativo, má alimentação, poluição, tabagismo, consumo excessivo de álcool e noites mal dormidas estão entre os principais vilões do envelhecimento cutâneo.
De acordo com os pesquisadores, os procedimentos minimamente invasivos revolucionaram a forma como as pessoas procuram rejuvenescimento. O estudo destaca que a busca por tratamentos rápidos, menos dolorosos, com recuperação curta e aparência natural aumentou significativamente nos últimos anos.
Entre os bioestimuladores mais conhecidos atualmente estão o ácido poli-L-láctico (PLLA), comercializado em marcas como Sculptra®, e a hidroxiapatita de cálcio, presente em produtos como Radiesse®. Ambos são utilizados para melhorar a qualidade da pele, estimular a produção de colágeno e restaurar a sustentação facial.
O ácido poli-L-láctico atua provocando uma resposta inflamatória controlada no organismo. Isso faz com que os fibroblastos — células responsáveis pela produção de colágeno — sejam ativados. O resultado não aparece imediatamente. Segundo o estudo, a formação de novo colágeno começa cerca de um mês após a aplicação e pode continuar evoluindo por aproximadamente um ano.
Já a hidroxiapatita de cálcio possui dupla função: além de oferecer uma volumização inicial, também estimula a produção de colágeno. Após a absorção do gel carreador, permanecem microesferas capazes de reorganizar a estrutura dérmica e melhorar a firmeza da pele. Os efeitos podem durar entre 18 e 24 meses, dependendo do organismo e da técnica utilizada.
Especialistas afirmam que a popularização dos bioestimuladores acompanha uma mudança importante no comportamento dos pacientes. O objetivo atual já não é aparentar um rosto "feito", mas transmitir uma aparência saudável, descansada e rejuvenescida.
Outro fator que impulsiona esse mercado é o chamado zero downtime, expressão utilizada para descrever procedimentos que permitem um retorno rápido à rotina. Muitos pacientes realizam as aplicações durante a semana e retomam as suas atividades praticamente no mesmo dia.
No entanto, apesar da crescente popularidade nas redes sociais, os especialistas alertam que os bioestimuladores não devem ser banalizados. Complicações podem ocorrer quando o procedimento é realizado de forma inadequada ou por profissionais sem qualificação suficiente.
Entre os possíveis efeitos adversos estão hematomas, inchaço, inflamações, formação de nódulos, irregularidades e até migração do produto para outras regiões. Aplicações superficiais incorretas estão entre as principais causas dessas complicações.
Os autores também destacam que cada paciente deve passar por uma avaliação individualizada, levando em consideração o grau de envelhecimento, a espessura da pele, o estilo de vida e os objetivos estéticos. Pessoas com envelhecimento mais avançado geralmente necessitam de uma maior quantidade de produto e de mais sessões para alcançar os resultados desejados.
Além do rosto, os bioestimuladores vêm sendo utilizados em diversas regiões do corpo, como pescoço, colo, braços, abdómen e glúteos, especialmente em protocolos voltados para a flacidez e melhoria da qualidade da pele.
Mais do que uma tendência estética, os bioestimuladores refletem uma nova filosofia dentro do mercado da beleza: regenerar em vez de mascarar. Numa era em que os pacientes procuram resultados naturais e tratamentos inteligentes, estimular o próprio organismo parece ter-se tornado o verdadeiro luxo da estética moderna.
Referências:
• Matos ES et al. Os bioestimuladores de colágeno no tratamento do envelhecimento cutâneo e a atuação do farmacêutico. Research, Society and Development, 2023.
• Haddad A. et al. Current concepts in the use of poly-L-lactic acid for facial rejuvenation. Surgical and Cosmetic Dermatology, 2017.